Toda semana chega no nosso WhatsApp uma variação da mesma história: a revendedora comprou um lote lindo, vendeu tudo em quinze dias, comemorou. E quando foi repor o estoque, percebeu que o dinheiro não tinha sobrado. Vendeu bem. Lucrou mal.
O problema quase nunca é a peça. É o preço.
Este guia é pra quem já revende ou está montando e quer parar de precificar no chute ou, pior, copiando a concorrente do bairro. Se você ainda está decidindo se entra nesse mercado, talvez faça mais sentido começar pelo nosso e voltar aqui depois.
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Antes da conta: o que é custo de verdade
A maioria das pessoas calcula assim: paguei R$ 8 na peça, vendo por R$ 16, lucrei R$ 8. Não lucrou.
Nesse “lucro” de R$ 8 estão escondidos o frete do pedido, a embalagem (saquinho, cartela, laço), a taxa da maquininha (em parcelado passa fácil de 4%), a gasolina ou o motoboy da entrega, e aquela cliente que parcelou no fiado e sumiu. Sem contar o seu tempo, que ninguém coloca na planilha e é justamente o que mais falta.
Custo real da peça = valor pago + rateio do frete + embalagem + taxa média de pagamento + um colchão pra perda. Só depois disso começa o lucro.
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Passo 1: calcule o custo unitário com o frete dentro
Pegue o valor total do seu último pedido no atacado, produto mais frete, e divida pelo número de peças. Esse é o seu custo unitário base, e ele já muda a conta: um pedido de R$ 500 com R$ 60 de frete significa que cada peça custa 12% a mais do que aparece na nota.
É por isso que comprar de pesa tanto no resultado: quanto mais peças no mesmo frete, menor o custo unitário. As começam exatamente aqui, antes de qualquer venda.
Some ao custo base uns R$ 0,80 a R$ 1,50 de embalagem por peça (cartela boa não é luxo, é apresentação) e a taxa média do seu meio de pagamento. Anote esse número. Ele é o chão do seu preço.
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Passo 2: escolha o markup, e entenda o que ele não é
Markup é o multiplicador: custo vezes X. No mercado de bijuterias, o padrão gira entre 2x e 3x o custo. Fornecedores e portais do setor apontam como faixa saudável para revenda.
Só cuidado com uma confusão clássica: markup de 2x não é margem de 100% sobre a venda. Se a peça custou R$ 10 e você vende a R$ 20, sua margem sobre o preço de venda é 50%. E é dela que saem suas despesas fixas. Muita revendedora acha que está ganhando o dobro do que realmente ganha por causa dessa troca de conceito.
Nossa opinião, depois de mais de 25 anos vendendo pra revendedoras do Brasil inteiro: comece com 2,5x nas peças de giro e 3x nas peças de destaque. Abaixo de 2x, você está pagando pra trabalhar.
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Passo 3: olhe o mercado, mas não copie preço
Pesquisar a concorrência serve pra entender o teto da sua região, não pra definir o seu número. A concorrente que vende brinco a R$ 12 pode ter comprado pior, pode estar queimando estoque, ou pode simplesmente estar quebrando devagar sem saber.
Você compete de outro jeito: com curadoria. Um mostruário montado com e com sustenta preço cheio, porque a cliente não encontra igual na banca do lado.
E tem o outro lado, que quase ninguém fala: preço baixo demais também espanta. Bijuteria muito barata levanta suspeita de que escurece na primeira semana. Preço é sinal de qualidade. Use isso a seu favor.
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Passo 4: precifique o mix, não a peça isolada
Quem olha peça por peça trava. Quem olha o conjunto, lucra. Divida seu mostruário em três papéis:
- Peças de entrada: as , com markup menor (2x), que trazem a cliente pra conversa;
- Peças de giro: o coração do faturamento, markup de 2,5x, repostas toda semana; aqui entram os , independente de estação;
- Peças de desejo: maxi brincos, conjuntos de festa, lançamentos. Markup de 3x ou mais, sem dó. É a peça que a cliente mostra pra amiga.
Com o mix precificado assim, dá até pra fazer promoção sem se machucar: você monta nas peças de entrada e recupera a margem nas outras duas camadas. Já desconto sem estratégia é o segundo colocado na nossa lista de : perde só pra comprar sem planejar.
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Quando essa conta não fecha
Sejamos honestas: tem cenário em que nem o melhor markup salva. Se você compra pouco volume, paga frete caro em cima de pedido pequeno e vende só pra colegas do trabalho, a margem real vai ficar espremida. O problema aí é escala, não preço. Nesse caso o caminho é aumentar a base de clientes primeiro (o Instagram resolve muito disso; começa ) e só depois brigar por centavos na precificação.
Também não recomendamos revenda pra quem precisa do dinheiro do estoque pra fechar o mês que vem. O giro médio saudável leva algumas semanas; quem tem pressa vende com desconto, e desconto com pressa vira prejuízo.
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Perguntas frequentes
Qual a margem de lucro ideal para revenda de bijuterias? A faixa praticada no setor fica entre 50% e 100% sobre o custo, segundo levantamentos de portais de varejo como a . Na prática: markup de 2x a 3x, variando conforme o papel da peça no seu mix.
Posso simplesmente dobrar o preço que paguei? Dobrar o valor da nota, sem incluir frete, embalagem e taxa de cartão, é a receita clássica do “vendi tudo e não sobrou nada”. Dobre o custo real, não o preço de etiqueta do atacado.
Quanto dá pra ganhar por mês revendendo bijuterias? Depende do volume e da constância, mas levantamentos do setor apontam , num mercado que movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano no Brasil. Tem gente ganhando muito mais, e é quem trata a revenda como negócio, não como bico. Se a ideia é começar como , tudo bem: só precifique como profissional desde o primeiro dia.
Como competir com quem vende mais barato que eu? Não competindo em preço. Curadoria, atendimento, peça na mão na hora e mostruário atualizado toda semana valem mais que R$ 3 de diferença. Cliente que só compra pelo menor preço não é a cliente que sustenta seu negócio.
Preço não é matemática fria: é a diferença entre um estoque que se paga e um armário cheio de peça parada. Refaça a conta do seu último pedido com o custo real na mesa. Se o número assustar, ótimo: agora você sabe onde estava vazando.
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